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Colocado por Vitor Borges em Geral
Olá a todos!
Antes de mais peço desculpa por só agora, depois de mais uma semana em terras lusas, escrever umas linhas aqui! Os dias que precederam o regresso foram bastante preenchidos e só hoje e já na capital a frequentar um curso que me ocupará os próximos 8 meses, tive finalmente tempo!
Quero agradecer a todos vós que seguiram atentamente o site durante os 93 dias de viagem e todo o apoio que me deram! Foi sem dúvida importante para mim ler os vossos comentários, principalmente nos momentos menos felizes e onde a vossa participação foi maior, tendo-me dado uma força e alento especiais!
Terminada a viagem é também tempo de agradecer todas as pessoas e entidades que acreditaram no meu projecto e que a tornaram possível!
Ao meu amigo Francisco Neves pelo apoio que me deu no contacto com a Câmara Municipal de Viseu e Fórum, ter garantido o seguro para a mota na MDS e o apoio agrupamento 102 de Santa Maria – Viseu do qual Chefe de Agrupamento.
À Câmara Municipal de Viseu e EXPOVIS por terem apoiado este “filho da terra” em viagem pelo mundo!
À Catarina Mané e Fórum de Viseu pelo apoio que me deram na divulgação do projecto.
Ao Humberto Fonte, amigo de longa data de lenço ao pescoço, pelo apoio que me garantiu da BERNER!
À BERNER pelo material com que me apoiaram!
Ao meu amigo Ovelha pelo apoio do restaurante Piazza, do qual é dono, o qual aconselho a visitarem na Praça República em Coimbra!
Ao amigo Miguel Batista, dono da Feel Like, por ter posto a mota “num brinco” antes do início da viagem e que vai tratar de a por igual um destes dias, agora que está quase irreconhecível!
Ao Luísão e a malta da Recauchutagem Via Rápida pelos pneus que fizeram mais 20 000km e ainda estavam para durar!
Ao Rui Baltazar e à Touratech Portugal pelo apoio prestado e permanente acompanhamento da viagem.
Ao Miguel da Moto Sport pelo apoio que me deram!
Ao Automóvel Clube de Portugal e à Rita Alvim pela Carta de Condução Internacional e Carnet de Passage en Douane, sem o qual não teria tido a possibilidade de entrar no Egipto e bem útil foi na Síria!
Ao Rui Paraty e à AS Motorrad no Porto, onde comprei a BMW R 1200 GS minha fiel “montada” neste viagem, por terem sido dos primeiros a acreditar no projecto e consequente apoio prestado.
Ao João Vieira que “levou” o meu projecto à Baviera e à Baviera de Aveiro pelo material com que me apoiou.
Ao Leitão e à Rotina pelos autocolante e t-shirts.
Ao Filipe Elias e à Espaços Sonoros pela cartografia digital para o GPS e que bem jeito deu na Europa.
Ao “Paulos” e ao Motoclube de Viseu pelo apoio institucional que me deram e principalmente por me teres acompanhado na saída e na chegada a Portugal mesmo debaixo de chuvada intensa no dia em que cheguei!
Ao irmãos Pina e à Fusion Design onde o site está alojado. Sem a vossa ajuda na elaboração e actualização do site o acompanhamento da viagem seria apenas uma miragem do que foi!
Por fim a todos os que acreditaram em mim e que acreditaram que o meu sonho desta viagem se podia tornar realidade! Como disse o escritor ” Se tenho que sonhar porque não sonhar os meus próprios sonhos” e isso sem dúvida aconteceu!
A todos o meu grande Bem-Haja!!!
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Distância Percorrida – 459,9km
Total – 12.207,4km
 Percurso 28JUL
Com dia de atraso devido à nossa visita a Jerusalém finalmente deixámos Amman com destino à Síria. Como não tínhamos visto muito da cidade tirando o internet café e o pequeno restaurante fast-food de falafel e shwarma onde se podia comer por cerca de 0,50JD, antes de sairmos fomos dar uma olhadela ao coliseu romano da cidade. Este encontra-se um pouco escondido por árvores o que não permite ter uma grande perspectiva do mesmo, mas ainda neste dia íamos ver bastantes ruínas romanas! Tentámos ainda visitar a citadela mas depois de umas voltas não a encontrámos e decidimos seguir viagem!
 Anfiteatro de Amman escondido atrás das árvores com foto do Rei ao fundo
Na fronteira novamente o procedimentos normais e morosos! Ao sair da Jordânia os habituais 5JD para dar saída no passaporte e desta vez 10JD para a saída da mota, pagámos mais 5JD não sei bem porquê, mas não tivemos qualquer problema na saída! Na entrada na Síria já não foi bem assim pelo menos para o Matt, que como o visto tinha caducado e como o ex-presidente Bush proferiu umas palavras menos abonatórias acerca do Governo Sírio, teve um longo dia à espera que o deixassem entrar! No nosso caso, como felizmente ninguém se preocupa muito acerca de que os nossos políticos dizem e não metemos em confusões com ninguém, entrámos sem problemas. Como tínhamos o seguro ainda válido a entrada saiu-nos mais barata do que da última vez mas mesmo assim tivemos que pagar 25€/33dol para o visto e para a mota 5€/8dol no meu caso com carnet e o Luís 65€/95dol!
Como o Matt perspectivava passar muito tempo na fronteira até que lhe dessem novo visto decidimos separarmo-nos e encontrarmo-nos em Palmyra ao fim do dia!
O resto da viagem correu sem problemas com contactos sempre espectaculares com o povo sírio cada vez que parávamos para abastecer o fazer qualquer outra coisa. Depois de passarmos Damasco entrámos numa estrada de deserto onde se encontra o típico “Bagdad Café” mas como era de noite não o vimos, no entanto numa paragem para abastecer e comer umas iscas de fígado que me souberam pela vida, tivemos mais um contacto bem interessante com esta gente. Depois de jantar chamaram-nos para nos sentarmos num alpendre ofereceram-nos chá e chicha e depois de muita conversa convidaram-nos para dormirmos em casa deles! Era uma oferta tentadora e mesmo o tipo de coisa que eu gosto mas, como nos tínhamos comprometido com o Matt encontrarmo-nos em Palmyra, agradecemos a amabilidade e continuámos! O povo sírio não pára de nos surpreender com a sua simpatia!
 À noitinha finalmente chegámos ao destino
Chegámos a Palmyra já perto da meia e ficámos logo deslumbrados pela beleza e extensão destas ruínas, que de noite e com a iluminação artificial ficam ainda mais impressionantes!
 Ruínas romanas de Palmyra
 As impressinantes e bem preservadas ruínas
Enquanto tirávamos fotos, uma mota apareceu e disse que havia um parque de campismo mesmo junto às ruínas com piscina, decidimos dar uma espreitada e optámos por dormir lá mesmo sem montar tenda numas almofadas numa grande tenda!
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Distância Percorrida – 126,5km
Total – 11.747,5km
 Percurso 26 e 27JUL
Depois de uma noite bem dormida no Hotel Ásia em Amman deixámos o Matt, que não nos quis acompanhar porque queria ir fazer umas filmagens no Mar Morto e também porque não queria arriscar levar um carimbo no passaporte e não conseguir passar para a Síria, e seguimos com as motas rumo a Israel despedindo-nos até ao fim do dia!
Para facilitar as burocracias das passagens da fronteira e não complicar muito por causa dos carimbos no passaporte, ideia era deixar as motas junto ao Rio Jordão, que materializa a fronteira, e passar a Ponte do Rei num autocarro para visitar Jerusalém durante a tarde e regressar no fim do dia!
Pagámos a normal taxa de 5JD para saída da Jordânia, que dá direito a um selo que colaram num papel separado e no qual carimbaram-na a nossa saída, pagámos outros 5JD para o autocarro e saímos sem problemas e relativamente rápido, considerando a espera que ainda teríamos pela frente!
Do outro lado as coisas não correram tão rápido!!! Primeiro tivemos que passar pelo controlo RX bem como as nossas bagagem de mão, depois eu fui premiado com uma “máquina de sopro”, é curioso como sou sempre premiado com estas coisas quando passo fronteiras ou passo em aeroportos, devo ter mesmo cara de terrorista como a seguir se veio a confirmar!
Com o tempo que estávamos a demorar chegámos à conclusão que seria impossível regressar no mesmo dia e como tal teríamos que dormir algures em Jerusalém, por isso pedi a um americano o “Lonely Planet” para tirar os nomes de alguns hostels! Isto acabou por ser importante porque depois passámos ao controlo dos passaportes onde nos perguntaram 1001 coisas entre as quais onde dormiríamos! Mais uma vez o Luís passou e eu fiquei para trás para preencher um questionário e aguardam interrogatório! Cheguei à conclusão que não era o único nestas circunstâncias e na realidade quase todos os turistas tinham um do grupo onde estavam inseridos à espera!
 Palestinianas a entrar em Israel
Depois de umas 2 ou 3 horas finalmente chamaram o meu nome, deram-me o passaporte e mandaram-me seguir, sem interrogatório e nem sequer viram o papel que me mandaram preencher! Pelas conversas que tive com os outros estrangeiros “da espera” penso que as autoridades israelitas não estão nada interessadas em que turistas passem por esta fronteira, porque é a mesma que os palestinos usam para entrar e sair dos territórios ocupados, possivelmente não querem que internacionais vejam como tratam estas pessoas que até água trazem da Jordânia em grandes jerricans!!!
Apanhámos um mini-bus e finalmente chegámos a Jerusalém! Apesar de toda a espera, valeu de facto a pena visitar esta cidade que penso que é impossível passar despercebida a quem a visita pela sua forte espiritualidade!
 Entrada na cidade velha de Jerusalém
A forte presença das mais variadas religiões sente-se em cada esquina como é fácil de explicar por ser cidade santa e a mais importante para judeus, onde viveram desde tempos remotos; cristãos, por ser o local onde Jesus foi crucificado, sepultado e onde ressuscitou e a 3ª mais importante para os muçulmanos, depois de Meca e Medina, situadas não muito longe daqui na Arábia Saudita!
 Ruas de Jerusalém
 Loja de especiarias na ruas apertadas de Jerusalém
Perdemo-nos nas ruas estreitas da cidade até que encontrámos um hostel (daqueles do guia do americano) junto à Torre de David! Instalámo-nos lá, não que tivéssemos muito com que nos instalar já que não estávamos preparados para a noite e seguimos para o Muro das Lamentações onde esperávamos ver os judeus nas orações da tarde, o que aconteceu! É um pouco estranho ver estas orações junto ao muro onde as pessoas parecem animadas de movimentos repetidos e automáticos mas, cada religião tem as suas coisas!
 Torre de David
 Muro das Lamentaçãoes
 Vista nocturna da cidade, onde se pode ver a Igreja do Santo Sepulcro
 Eu e o Luís com o nosso pequeno amigo muçulmano
 Vista nocturna das muralhas e do Monte das Oliveiras
No dia seguinte começámos por visitar a Igreja do Santo Sepulcro que foi construída no local onde Jesus foi crucificado e sepultado. Tal como a travessia do Monte Sinai, o facto de estar na “Terra Santa” é de facto uma experiencia fantástica por tantas vezes ouvir falar destes locais e agora estar fisicamente neles! Por exemplo, pensei que as distâncias fossem maiores, na realidade o local da cruz e do sepulcro é bastante perto, tanto que actualmente estão no interior da mesma Igreja, a do Santo Sepulcro, bem como Belém é bastante perto de Jerusalém!
 Monte das Oliveiras
 Entrada para a Igreja do Santo Sepulcro
 Local onde Jesus foi crucificado
 Interior do Sepulcro onde Jesus foi sepultado
 A pedra onde Jesus foi deposto depois de retirado da cruz
Nesta igreja, cuja defesa custou a vida de bastantes cruzados quando Saladino conquistou definitivamente Jerusalém, podemos ver o local da cruz, a pedra onde o corpo de Jesus sem vida foi deposto e o local mais visitado, que até tinha fila para entrar e tempo limitado, o local do sepulcro onde Jesus foi sepultado e de onde ressuscitou ao 3º dia e que dá o nome à igreja!
 Junto ao Muro das Lamentações
 Luis feito Judeu junto ao Muro das Lamentaçãoes
O resto da manhã passeámos pela cidade, visitámos o Muro das Lamentações durante o dia e tentámos ir à Mesquita mas não conseguimos porque era tempo de orações até que regressamos novamente à fronteira e de onde foi bem mais rápido sair do que entrar!
Felizmente sem carimbos nos passaportes regressámos à Jordânia, montamos nas motas e regressamos a Amman onde o Matt nos esperava já há um dia!
A importância histórica deste local deixou-me deveras impressionado e é um dos pontos altos desta viagem!!!
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Distância Percorrida – 228,3km
Total – 11.620,9km
 Percurso 25JUL
O calor do sol fez-nos acordar da nossa dormida de reis no Castelo de Dahba! Este castelo Otomano foi mandado construir durante o mandato do Sultão Salim I (1511-1520) para proteger as caravanas de peregrinos sírios e posteriormente serviu para alojar guardas turcos incumbidos de proteger a linha de comboio de Hijaz, que passa bem perto dali.
 Local da dormida e parqueamento das motas dentro do castelo
Este dia estava destinado a visitar os castelos do deserto até chegarmos a Amman. Pelo mapa do Matt o castelo de Jilat não estava muito longe se fossemos a azimute e foi o que fizemos!
 O castelo de Dahba
O deserto sírio e bastante bom de rolar porque não tem muita areia e o piso é duro e sem grande vegetação pelo que pode-se andar com relativa facilidade e velocidade mesmo sem pista, tirando algumas partes com pedra solta.
 A Kawaswaki do Matt e a 1ª pista depois rolar a azimute
Depois de alguns kms feitos chegamos ao local onde presumivelmente estava o castelo mas, mesmo subindo a um monte mais alto, à nossa volta só víamos deserto e nada de castelo!!! Como não era muito difícil o andamento e a ideia era também fazermos um TT e o Matt continuar a filmar o filme dele, onde eu e o Luís já somos protagonistas, não preocupou muito não encontrarmos o dito castelo.
 Um perder de vista de deserto Jordano
Após muito rolar a azimute finalmente encontrámos uma pista que nos levaria no bom caminho ou seja na direcção de Amman! Seguimos por essa pista já com um andamento mais rápido e encontrámos a estrada de alcatrão, como já estamos famintos não seguimos na direcção da capital da Síria mas no sentido contrário, na direcção da mais próxima povoação com a esperança de encontrar um restaurante, o que felizmente aconteceu.
 A equipa luso-americana Eu, Luís e o Matt
Como eu e o Luís tínhamos tirado o ar dos pneus por causa do TT fomos a uma loja de pneus, daquelas que já referi que aqui existe muito, para encher os pneus. Como eu continuava com o trauma dos furos aproveitei para, com a água com detergente que eles têm sempre para ver se tinha algum furo, o que se verificou! Um dos tacos estava a verter ar!!! Meti outro taco porque na altura não sabia que a solução não devia ser essa e continuámos viagem!
 Queseir Amra, sec VIII
Pelo caminho visitámos Quseir Amra que é património mundial da humanidade e foi construído no sec VIII! Este pavilhão de caça serviu para alojar a família reinante Umayyad e de relevar as pinturas do seu interior que representam bem a arte da altura!
 Pinturas no interior de Queseir Amra
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Distância Percorrida – 220,51km
Total – 11.392,6km
 Percurso 24JUL
Depois do reencontro do dia anterior fomos jantar a um dos únicos restaurantes da região e onde nos recomendaram um parque de campismo no parque natural com tendas, chá grátis e uma vista fantástica! Quando chegámos de noite o sítio pareceu-nos meio suspeito mas veio de facto a revelar-se um local estupendo!
 O Luis estremunhado na pseudo-tenda onde dormimos
Queríamos explorar o local e eu o Luís estávamos numa de fazer um trekking mas pelos vistos o Matt não muito de caminhadas e como queria fazer mais umas filmagens decidimos fazer umas pistas no Parque Natural de Dana que é de facto bastante impressionante!
 O Matt com o seu equipamento de filmagem
 Os vales extensos ao fundo
A primeira pista descia bastante numa estrada de calhau solto que fez com que visse “à rasca” para descer com a pesada GS 1200, apesar de pela 1ª vez ter-lhe retirado as malas laterais, e acabava sem ligação pelo que tivemos que regressar pelo mesmo caminho para cima!
 O Luis e o Matt ao fundo a rolar numa pista em Dana
 As 3 máquinas numa paragem do TT
Depois começámos a fazer uma pista que nos disseram que era a estada militar por passar junto a um aquartelamento do exército jordano e por aí nos divertimos! Eram pistas bastante mais fáceis e fui ganhando mais confiança também já que tirando algumas experiencias na Tunísia nunca tinha andado verdadeiramente em TT com a mota! Fui numa dessa pistas que, ao descer, comecei a ver uma Raima junto a um rebanho, que deduzi que fosse de pastores beduínos! Alguém acenou e eu, que por muito que goste de TT gosto muito mais de conhecer pessoas e mais destas que não encontramos todos os dias na Europa, logo parei a mota!
 A Raima beduína perdida no meio do parque
 A raima beduína onde tomámos chá
Como de costume, a hospitalidade gratuita e sincera destes povos fez-se sentir, tendo sido convidados para o interior da Raima para o normal Chai, onde estavam outros beduínos de visita ao nosso anfitrião! Já que o Matt fala um pouco de árabe conseguimos mais ao menos manter uma conversação, não que isso fosse muito importante, pelo menos para mim só a ocasião bastou e foi sem dúvida o momento mais rico do dia. De facto, a versatilidade de viajar com uma mota de trail leva-nos a experiencias que dificilmente teríamos!
De “barriga cheia” de off-road, regressámos ao parque de campismo arrumámos a tralha nas motas, enchemos os pneus, fomos almoçar tardiamente ao mesmo restaurante do jantar do dia anterior e rumámos em direcção a uns castelos no deserto a este de Amman!
 O nosso anfitrião
 O ancião que visitava o nosso anfitrião
Depois de rolarmos uns kms e a noite cair decidimos bivacar algures perto da estrada para os castelos para depois no dia seguinte os visitarmos através de pistas em TT. Parámos perto de Dahba para comprar água para podermos cozinhar e logo se juntaram locais a perguntar o que procurávamos!
 Paisagens fantásticas no Parque Natura de Dana
Não estávamos à procura de nada em especial, só queríamos acampar em qualquer sítio mas, como perto daquele local havia um castelo e para fazer conversa dissemos que procurávamos o castelo de Dahba! Logo apareceu um carro e como não falavam inglês, puseram o Luis a falar ao telemóvel com alguém que lhe perguntou se era mesmo o castelo que procurávamos! Os ocupantes do carro prontificaram-se a mostrar-nos onde era castelo e lá fomos nos a seguir o Mercedes por uns mais 15km mais de metade em pista até que de facto chegamos ao castelo que estava bem isolado e que dificilmente o encontraríamos principalmente de noite!
 Paragem para comprar água, onde conhecemos os nossos guias
Pelo trabalho e distância percorrida estávamos a falar que lhes daríamos algum dinheiro pelo incómodo, quando o Luís novamente é posto a falar com o indivíduo que falava inglês. Perguntou-lhe se estávamos no castelo, ao que o Luís respondeu que sim e depois disse então devem dar 100 dólares aos “guias”. O Luís disse-lhe que não daria esse dinheiro ao que ele diminuiu para 40 dólares, ao que lhe respondeu que não negociava com ele e desligou-lhe o telemóvel!
Acabamos por voluntariamente dar 10 JD aos ocupantes do carro que era o valor previamente tínhamos decidido mas fiquei um pouco desiludido! Desde a Tunísia que hospitalidade e vontade de ajudar do povo árabe tem sido tão gratuita que este exemplo deixou-me um pouco triste, felizmente foi único!
A parte positiva foi que tivemos um castelo isolado no meio do deserto só para nós, no entanto tivemos alguns momentos a questionar-nos se seria seguro ficar ali ou não, já que “a malta dos 100 dol” poderiam voltar e importunar-nos! Concluímos que aqueles indivíduos não eram uma ameaça e que apenas viram uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil, além de que o castelo onde podíamos entrar com as motas e dormir e cozinhar junto a elas era bom de mais para recusar!
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Distância Percorrida – 271,1km
Total – 11.172km
 Percurso 23JUL
 Nascer do sol no Mar Vermelho
O dia começou da melhor maneira possível!!! Acordei cedo com o calor que se fazia sentir no bungalow, mas desta vez não me chateou nada! Vesti os calções de banho e comecei o dia com um “mergulhaço” no Mar Vermelho! Tirei umas fotos ao nascer do sol, preparei-me para sair e tomei um fausto pequeno-almoço incluído nas 30 libras egípcias que paguei pela dormida!
 Nascer do Sol no Bungalow onde dormi (2) com o Sinai ao fundo
 Ultima vista à praia do Soft Beach
Juntamente com o americano da noite passada, a quem dei boleia, dirigimo-nos para o porto. Como paguei a multa de velocidade no dia anterior não tinha dinheiro suficiente para pagar o bilhete do ferry, por isso fui levantar dinheiro! Se soubesse o que sei hoje não o tinha feito e tinha pago em euros porque a máquina “comeu-me” o cartão! Pelos vistos a onda de azar do Egipto ainda não tinha acabado! Ainda esperei que o banco abrisse para recuperar o cartão mas, apesar de estar escrito na porta que abriam às 8h30, o segurança informou-me que antes das 10h30 ninguém vinha, como tinha o ferry às 11h e precisava de passar pelo processo altamente lento e burocrático de saída do país decidi não esquecer o cartão e como tal pedi de imediato ao meu grande amigo de longa data e director do meu balcão bancário, Paulo Peres, que me cancelasse o mesmo. Na altura tinha algum dinheiro “vivo” em euros e o cartão de débito, por isso não me preocupei muito!
A saída do Egipto é mais barata do que a entrada mas mesmo assim ainda tive que pagar algumas libras. Depois do controlo de passaporte e bilhete na entrada do porto, esperei por outro polícia turístico que não o mesmo da entrada que guiou no processo de saída e me ia pedia o dinheiro 20 libras para fotocópias, 3+23 libras para entregar as matriculas e 3+50 libras para a alfandega! Sinceramente apetecia-me sair do Egipto e por isso não me chateei!
Esta ida ao Egipto foi sem dúvida um marco importante na viagem, primeiro porque apesar de não passar na Líbia consegui passar em todos os outros países que planeei e depois porque a ida às pirâmides estava no meu imaginário desde o início da viagem, no entanto foi um pouco desconfortável! O facto do Luís não ter entrado, os furos na viagem de ida, o caos da cidade do Cairo, com condutores alucinados onde chegaram a bater-me nas malas laterais, a multa, o acidente que quase tive, ter ficado sem cartão de crédito, etc. fizeram com que me sentisse aliviado ao deixar o país e regressar à Jordânia.
 Novamente o The Princess, que me levou de regresso à Jordânia
 O granel do porto de Nuweiba
Na Jordânia tinha o Luís à minha espera mas não estava sozinho! Na noite em que chegámos os dois a Nuweiba conhecemos um americano, o Matt VanDyke, que também estava de mota – uma Kawasaki KLR 650, desesperado por sair do Egipto após uma série de acidentes com os locais (agora percebo porquê) e que nos abordou a pedir algo para reparar uma fissura no motor da mota dela originada por um acidente com um carro egípcio. O Matt está fazer uma viagem de 2 anos e meio com o objectivo de filmar um filme sobre o mundo árabe e tem andado entre a Mauritânia e o Iraque, onde reside!
O Luís fez a viagem de regresso à Jordânia com ele e começaram a rolar juntos, o que sinceramente me fez sentir menos mal! Tal com o Luis, o Matt é um fã do todo-o-terreno, pelo que andaram a divertir-se pelo deserto de Wadi Rum, perto de Aqaba, a fazer umas pista e claro a filmar para o filme do Matt!
 De novo na Jordânia, o Iraque e a Arábia Saudita mesmo ao lado
Depois de chegar à Jordânia, onde tive dificuldade em entrar porque o meu seguro expirava neste mesmo dia e não havia maneira de trocar dinheiro porque todos os balcões de câmbio estavam fechados, comecei a dirigir-me para norte até que recebi uma mensagem do Luís a dizer para ir ter com ele ao Parque Natural de Dana, uma zona de vales fantásticos e que no dia seguinte aproveitámos para visitar!
 Por do Sol perto do Parque Natural de Dana
Como tinha as coordenadas de GPS do sitio onde me aguardava e sabia a localização geral de onde estavam foi relativamente fácil encontrá-los, o que aconteceu ao fim do dia, já depois do pôr-do-sol!
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Distância Percorrida – 546,4km
Total – 10.900,9km
 Percurso 22JUL
Acordei ensopado em suor como naqueles filmes americanos sobre os veteranos do Vietname, onde o actor acorda assim ao ver a ventoinha a rodar e que lhe trás memórias das pás de um helicóptero em funcionamento! No meu caso foi ao contrário, a ventoinha estava mesmo parada e esse foi o motivo por ter acordado cheio de calor! Tentei ligar a luz e constatei que não havia luz!!! Estremunhado fui à casa de banho e depois do “serviço” verifiquei que também não havia água e que o papel higiénico que tinha acabado no dia anterior não tinha sido substituído!!! Depois de recorrer aos sempre disponíveis toalhetes húmidos, desci os 5 andares de escadas, já que obviamente o elevador também não funcionava, até à recepção para saber o que se passava, onde me informaram que a falta de electricidade era “mal geral” de todo o quarteirão e que como a água no hotel era bombeada, sempre que falta luz, falta água!
Estava um pouco preocupado com a viagem de regresso por causa dos 9 furos da última vez e este início de dia não me trouxe mais confiança!
Como nada mais havia a fazer, arrumei o material na mota, tomei o fraquinho pequeno-almoço e seguindo as indicações do taxista do dia anterior tentei sair da cidade em direcção ao Suez, o que correu sem um único engano!!!
Já na estrada fora do Cairo fiquei com a impressão que a mota estava estranha, ou seja que tinha novamente o pneu furado. Como com as malas laterais não consigo ver o pneu traseiro, parei e ao por meu peso na mota e ao mesmo tempo ver o pneu a mota caiu! Agora e depois do que já me aconteceu entretanto isto não me chateia nada mas na altura não foi o caso!
Depois de compor o espelho lateral, que depois do tombo ficou solto, continuei viagem até ser parado num check point da polícia. Inicialmente pensei que fosse mais um como aqueles que apanhei na viagem de ida, no entanto enganei-me! De uma forma qualquer que eu não percebi como, porque não vi radares ou não me mostraram nada como prova, tinham-me apanhado em excesso de velocidade! Como tinha pronuncio de má sorte e só queria chegar sem problemas a Nuweiba e fazer o check in no Soft Beach, não me apeteceu nem sequer reclamar, além de que tinha perfeita consciência de que de facto estava em excesso de velocidade, por isso paguei as 150 libras e continuei viagem!
Já na viagem de ida constatei que a estrada estava em obras e muitos dos troços mas o piso onde andei foi sempre razoavelmente bom e seguro! Já desta vez tal não se verificou, ou seja independentemente do tipo de reparações que estavam a fazer na estrada não havia alternativa de passagem, tipo comporem uma faixa de rodagem e desviarem o trânsito dos dois sentidos para a outra faixa! Num dos troços estavam a por gravilha e mais à frente a terraplanagem, ou seja passava-se por cima da gravilha solta no que resultou no segundo tombo para o lado com a mota, no entanto não foi o pior!
Mais à frente apanho um troço em obras onde estavam a por o asfalto líquido e mais uma vez no mesmo sítio onde estavam as máquinas em trabalhos passava o trânsito! Além de o asfalto ter salpicado e ter “borrado” a mota por todo o lado ao sair desse troço e apanhar novamente a estrada com o asfalto seco, como os pneus estavam totalmente “oleados” com o asfalto líquido não ganharam aderência e andei a ziguezaguear até estabilizar a mota! Pela primeira pensei que ia ter um acidente e me espalhar ao comprido, o que aconteceu uma semanas mais tarde mas ao menos desta vez safei-me!
 O final das grandes rectas
Tudo isto só reforçava a minha vontade de chegar rápido ao destino mas depois aconteceu um daqueles encontros que valem a pena viajar! Numa das rectas desertas antes de chegar ao Sinai vejo um pequeno ponto ao longe que depois constatei que era um ciclista solitário, como viajantes solitários tendem a conhecer-se e darem-se bem parei para saber um pouco da história dele.
 Eu com o Stephen Allen, o ciclista solitário com uma missão
Assim conheci o Stephen Allen (que já escreveu um comentário aqui no site), um americano que viaja com um propósito! Ele é presidente de uma associação de apoio a pessoas com epilepsia e como tal está a fazer esta viagem pelo mundo para mostrar a esse mesmo mundo e principalmente a quem tem essa doença que a vida não para e que tudo é possível, segundo ele com algum cuidados, já que ele próprio é epiléptico! Foi sem dúvida o ponto mais alto deste trajecto ter conhecido o Stephen e trocado impressões com ele, é curioso como é que podemos criar tão grande empatia com alguém em tão pouco tempo mas foi o que aconteceu! Trocámos contacto de email e de site www.seizetheworld.com e segui viagem!
 O monte Sinai ao fundo
Desta vez, talvez por me estar aproximar do destino consegui apreciar a beleza do Sinai e reflectir sobre o interessante que é estar neste local de onde tantas vezes ouvi falar, nos texto do velho testamento quer e mais recentemente e por piores motivos pela guerra entre Israel e o Egipto!
 Praia no Mar Vermelho
Finalmente e sem mais tombos, possíveis acidentes, multas, furos, etc ao fim da tarde cheguei a Nuweiba e tal como tinha prometido há 3 dias atrás alojei-me no Soft Beach mesmo a tempo de mandar mergulho no Mar Vermelho com vista para a Arábia Saudita e apanhar um por do sol fantástico!!!
 Finalmente na Soft Beach
 Por do Sol com a Arábia Saudita ao fundo
Durante a noite tinha planeado escrever uns relatos para o site mas, num ambiente bastante agradável sentado numas almofadas, acabei por passar a noite na conversa com um americano, uma norueguesa que talvez ainda vá rever nesta viagem já que me deu o contacto dela em Bergen!
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Distância Percorrida – 30km
Total – 10.354,5km
 Percurso 21JUL
Depois de um pequeno-almoço não muito abundante no hotel fiz de mota os 3km até às Pirâmides de Gizé, visto que apesar de ser perto no Cairo este o nome desta zona onde este antiquíssimo complexo funerário se localiza!
Parei a mota junto às bilheteiras, onde também estavam uns autocarros estacionados e apareceu logo um polícia aos berros a dizer que tinha que tirar dali a mota, disse-lhe que ia apenas comprar o bilhete para a minha entrada e da mota no recinto das pirâmides ao que ele respondeu que a mota não pode entrar! Já tinha visto fotos na net de motas mesmo junto às pirâmides e via dentro do recinto inúmeros carros e autocarros pelo que tentei explicar-lhe isso tudo, depois de muita argumentação e claro refutação a dizer que as regras tinham mudado e que agora as motas não podem entrar no recinto, lá me resignei e estacionei onde me tinha indicado!
 Sempre consegui a foto da mota perto das pirâmide de Quéops
Havia grande confusão nas bilheteiras e demorei algum tempo a perceber para que se destinavam, mas afinal não percebi e comprei menos um bilhete do que o suposto, o que não me importo muito porque acho que não fez grande diferença. Lá comprava-se o bilhete de entrada no recinto (60 LE), o bilhete para entrar na pirâmide de Quéops (100 LE e o qual eu não comprei) e o bilhete para entrar na 2ª Pirâmide, Quéfen 30LE).
Apesar das fotografias que se vêm das Pirâmides darem a ideia que estas estão isoladas no meio deserto, isso é parcialmente verdade já que a zona urbana Gizé prolonga-se até à entrada do complexo, estando esta mesmo a cerca de 200m da Pirâmide de Quéops e estendendo-se o deserto após isso.
 Pirâmides de Gizé
A vista e dimensão logo desta primeira pirâmide, que é a 1ª e a maior, é deveras impressionante! É extraordinário a forma como foi construída esta pirâmide, Quéops ordenou que todos os egípcios trabalhassem para ele ao longo dos 20 anos de construção desta, é quadrangular e a altura é igual ao lado que medem 246,26m, as pedras são polidas e foram unidas de uma forma perfeita, não tendo nenhuma menos de 9 m. As outras duas pirâmides de Quéfren e Miquerinos são mais pequenas, tendo esta última a particularidade de ter junto a ela outras 3 pequenas pirâmides satélites, as pirâmides das rainhas!
Caminhei por entre as pirâmides, fazendo umas fotos, até chegar junto à Esfinge! A esfinge, que é a representação colossal de um leão com cabeça humana, segundo alguns com as feições do faraó Quéfren, mede 73m de comprimento e encontra-se a 350m da pirâmide de Quéfen, de guarda ao seu túmulo.
 A esfinge e a Pirâmide de Quéfren
Como tinha bilhete para entrar na pirâmide de Quéfen fui ver esta pirâmide no seu interior! Para entrar entra-se numa pequena porta e depois desce-se por um apertado e abafado corredor até a zona plana após o que se sobe num igual corredor até uma câmara vazia! Não achei muito interessante, além de que não aconselhável a claustrofóbicos e pelas impressões que troquei com outros turistas que lá encontrei não me parece que tenha perdido muito em não ter visitado a pirâmide maior, por isso poupei 100 LE.
 A barca solar de Quéops
Ainda dentro do recinto existe um museu dedicado à barca de Cheops (50 LE) e que também aproveitei para visitar. Em 1954 foi descoberto a Sul da Pirâmide de Quéops uma cavidade com uma barca solar no seu interior que se crê que foi utilizada para transportar o corpo do próprio Quéops até à pirâmide!
Esta visita e vista das 3 pirâmides e da esfinge é sem dúvida memorável e foi um dos pontos altos desta viagem! Como tinha o Luís à espera na Jordânia e como todos com quem falei me desaconselharam a ir a Alexandria porque estaria caótica dada a quantidade de turistas, decidi passar este dia no Cairo e depois regressar. Vistas a pirâmides pareceu-me que o próximo local a visitar seria o Museu Egípcio do Cairo, o que não me arrependi!
 Museu Egípcio do Cairo
Tive uma tentativa de ir para o museu de mota mas, dado o trânsito da cidade pareceu-me mais sensato, seguro e até económico parquear a mota no hotel e ir de táxi. O museu (60 LE) está repleto de artefactos egípcios retirados das pirâmides de Gizé e principalmente do Vale dos Reis, perto de Luxor e é bastante interessante apesar de estar subdimensionado para a quantidade de objectos e parece ter sido organizado há uns 50 anos sem mais actualizações, tirando algumas excepções!
Do que mais gostei no museu foi sem dúvida a sala das múmias (que é um bilhete à parte 100 LE) onde é impressionante ver como as antigas técnicas de embalsamento ainda mantêm os faraós em relativo bom estado, para quem morto há milhares de anos claro, mas os seus sonhos de imortalidade serem parcialmente mantido. Outro artefacto que me impressionou foi o sarcófago de Tut-Ank-Ámon. Foram utilizados 3 sarcófagos para sepultar o jovem rei que morreu com 18 anos e o interior pesa 1170 quilos de ouro maciço que é possivelmente a maior obra de ourivesaria da história!
 Citadela de Saladino
Saí do museu com a intenção de visitar a outra cultura bem mais presente na cidade do que a egípcia, a islâmica e mais concretamente o Cidadela do Saladino e fui abordado por um taxista que se ofereceu para fazer um “tour” pela cidade por 20€. Nunca antes tinha entrado nestas voltas concentradas providenciadas pelos taxistas mas, como era o meu único dia na cidade, já eram 17h e ele prometeu uma ida a um ponto alto com uma vista fantástica sobre a cidade decidi ser turista burguês por um par de horas! Do que parcialmente me arrependi!!! Passámos de facto por alguns locais históricos com “perto” da cidadela e na Mesquita de Amr Ibn El Aas, segundo o taxista a mais antiga de toda a África, mas fui uma visita tipo turista japonês, tirar a chapa e sair, além de que não fomos ao tal sitio alto porque estava muito trânsito e parou numa loja de perfumes e de papiros (onde devia ter comissão) para ver se comprava alguma coisa! Valeu duas coisas, percebi como se faziam as folhas de papiro e mostrou-me o como se saía da cidade em direcção ao Suez, que bem jeito deu no dia seguinte!
 Mesquita de Amr Ibn El Aas
 Explicação de como se faz o papiro
A noite reservei-a para o espectáculo nocturno de som e luz junto à esfinge que foi bastante esclarecedor acerca da história das pirâmides e bastante interessantes!
 Pirâmides e esfinge à noite
 Espectáculo de som e luz
 Mais espectáculo de som e luz
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Distância Percorrida –549,8 km
Total – 10.324,5km
 Percurso 20JUL
Depois de acordarmos no talvez pior quarto de hotel onde já dormi (e já dormi em bem rascas), onde as baratas eram abundantes e que viemos a descobrir que foi bastante caro para a zona, 100 libras por quarto duplo sem pequeno almoço, fomos tomá-lo ao mesmo restaurante igualmente reles, mas não tão caro, onde na noite anterior tomámos o jantar tardio.
 O pior quarto de Hotel de Sempre!
“Teoricamente” há dois ferry boats diários entre Nuweiba e Aqaba, às 10h e às 16h. Para que o Luís não saísse do Egipto sem ver nada mais que o porto, decidimos conhecer um pouco daquela zona e percorremos costa do Mar Vermelho que se revelou muitíssimo mas interessante do que o hotel e restaurante que conhecíamos até então! Esta região tal como Aqaba, de onde partimos na Jordânia, é pelos vistos bastante boa para a prática de mergulho e snorkeling dada a clareza das águas e beleza do fundo do mar em especial os corais, como tal abundam resorts turísticos tipo Hilton mas também uns campos de bungalows muito acolhedores e baratos! Demos assim com um desses sítios o “Soft Beach” onde bebemos uma cerveja para nos despedirmos do Egipto e onde prometi voltar no meu regresso!
 3 furos para começar...
Quando deixei o Luís no porto ele reparou que o meu pneu de trás estava com pouco ar, como tinha que encher o depósito fui para um estação de serviço onde aproveitaria para encher o pneu, pensando eu que era apenas isso que era preciso!!! Por estas bandas não há o conceito de haver a água e ar self service nas estações de serviço, em quase todas há uma pequena oficina onde se trocam, reparam e remendam furos nos pneus. Nessa oficina constatei que tinha 3 furos no pneu e após reparados com tacos (caros e que se vieram a revelar de fraquíssima qualidade) continuei viagem pela primeira vez sozinho desde Madrid!
 Agora sim a gasolina mais barata da viagem, 0,25€
Depois do primeiro de oito postos de controlo da polícia que iria encontrar nesta viagem, atravessei o Monte Sinai de Abraão quase sem me aperceber da sua relevância e beleza, dado o meu estado de espírito um pouco conturbado! Estava um pouco triste pelo facto de ter “arrastado” o Luís para aqui e agora ele ter que regressar sozinho à Jordânia mas por outro lado estava contente por, apesar de não ter conseguido atravessar a Líbia, atingir este marco da viagem de ir ao Cairo e às pirâmides!
 Estrada de deserto
 Grandes rectas depois passar o Monte Sinai.jpg
A estrada de montanha com as suas curvas transformou-se em numa estrada com grandes rectas, apesar de estar grande parte em obras de reparação, que na viagem de regresso podia ter graves repercussões, depois a paisagem começou a ser de deserto antes de atingir um marco deste percurso, a travessia do canal do Suez! O Mar Vermelho estende-se de sul para norte em golfos, o Golfo de Aqaba mais a Este, que atravessei para chegar ao Egipto e que banha também a Jordânia, a Arábia Saudita e Israel e o Golfo do Suez que depois se transforma num canal com o mesmo nome e que desagua no Mediterrâneo em Port Said.
 Quase a passar o Canal do Suez
 Entrando no tunel do Canal do Suez
Atravessado o canal do Suez, junto à cidade que lhe dá o nome, continuei mas cerca de 100 km até ao Cairo! Quando estava quase a chegar um carro começou-me a fazer sinais e a apontar para o pneu traseiro, parei e constatei que estava novamente “em baixo”. Lá tive que estrear o compressor e encher o pneu o suficiente para chegar a um local mais iluminado, já que como era de noite e estava num local sem luz não conseguia ver os furos! Parei mais à frente numa estação de serviço, que tal com a de Nuweiba, tinha a tal oficina de pneus! Depois das “esguichadelas” com água com detergente, o diligente e simpático Moahmed constatou que tinha 9 furos!!! Os 3 anteriores que continuavam a perder ar (bela m#”%$a de tacos que meteram em Nuwueiba, bem devia ter usado os meus mas como estava na oficina deles …) e tinha outros 6 furos!!! Mais 9 tacos para solucionar o problema, se bem não totalmente, o que acabou me afectar o grande parte da viagem até decidir remendar totalmente o pneus na Turquia, quase 2 semanas depois!
 Mais 6 furos!
E sem mais problemas finalmente cheguei ao Cairo, segundo os egípcios a “cidade dos mil minaretes”, que como era de esperar se revelou uma cidade imensa e bastante caótica, o que é normal com os seus mais de 17 milhões de habitantes na área metropolitana, sendo a maior do continente africano! Tal como quando cheguei a Istambul imaginei que ia ser mais uma vez dar voltas e voltas até encontrar o que queria mas desta vez decidi não me chatear muito, por isso como não tinha mapa, o GPS pouco ou nada ajudava, fui numa de “quem tem boca vai a Roma”, neste caso ao Cairo. Assim por volta das 22h e 30m cheguei a Gize e às Pirâmides, que obviamente estavam fechadas, apesar de haver por lá bastante gente, tal como o Moussa que me tentou impingir uma volta de cavalo ou camelo e que também me informou que os hotéis ali na zona eram caríssimos!
 O limite da carga é a altura da carrinha
Depois de perguntar uns quanto preço acima do meu orçamento optei ficar no Hotel Kinow por 53 libras a noite num quarto duplo e fui descansar para estar pronto para as pirâmides no dia seguinte!
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Distância Percorrida – 180,4km
Total – 9774,7km
 Percurso 19JUL
Pela primeira vez só os dois a viajar, eu e o Luís deixámos Petra rumo ao porto de Aqaba onde queríamos apanhar o ferry para o Egipto. No porto tentámos perceber qual o procedimento que era o seguinte:
- Comprar o bilhete do ferry: primeiro no guichet com os documentos da mota ect; pagar no banco 95€ e regressar ao guichet entregar o recibo e pagamento e receber o bilhete
- Na alfândega pagar uma taxa de saída para a mota, um selo de 5JD, para carimbarem a saída no carnet
- Na polícia pagar taxa de saída, um selo de 5JD, para carimbarem a saída no passaporte
- Aguardar na fila e entrar no ferry
 Entrada no ferry The Princess em Aqaba
 O The Princess depois da chegada a Nuweiba
O navio que nos levou para o Egipto foi o “The Princess” um pequeno ferry que, para infelicidade do Luís, nem dava para sair para o exterior ou seja fumar um cigarrinho, no entanto a viagem foi bastante agradável com a companhia de uma família de egípcios, que tal como quase toda a gente no ferry, regressava de uma viagem de cariz religioso à Arábia Saudita – a Meca e Medina, que nos foram explicando o merecia a pena ser visitado no seu país! O pior foi que viagem deveria durar cerca de 1h 30m mas já atracados em Nuweiba estivemos outro tanto tempo à espera para sairmos.
Já no Egipto tentámos perceber novamente qual o procedimento a seguir para entrada neste país. Fomos inicialmente para um posto de controlo médico (talvez por causa desta coisa das gripes) mas onde não nos fizeram nada e mandaram-nos seguir para o controlo da alfândega. Aqui os carros carregadíssimos de coisas no tejadilho eram totalmente revistados, tirando todo o material para ser vistoriado pelos agentes alfandegários, controlavam o nº do chassis e depois davam um papel a dizer que estava tudo em ordem!
Nós ficamos à espera imenso tempo à espera que alguém nos prestasse atenção, o que não aconteceu pelo que começámos a perguntar sobre o que fazer, se podíamos seguir o tínhamos que esperar, ect. Foi então que foram ver as motas e nos deram o tal papelinho e disseram para que aguardássemos pela polícia turística! Passado mais algum tempo de espera conhecemos o “nosso” policia turístico o Arafath que nos orientou nos complicados procedimentos de entrada no Egipto e nos informou do pior!!!
 A Matrícula Egipcia da Mota!
Para mim que, felizmente e graças ao Automóvel Clube de Portugal, tenho o Carnet de Passage en Douane, não tenho problemas em entrar mas mesmo assim tenho que pagar um total de quase 500 libras egípcias (1€ = 7,8libras egípcias) divididos por todos os intervenientes no burocrático processo de entrada no país tais como alfândega, matricula egípcia (sim para um veículo estrangeiro poder circular no Egipto tem que ter uma matricula nacional) e mais não sei quanto gabinetes. Isto só para a entrada da mota ou seja sem contar com o visto, já que eu já o tinha previamente adquirido na Embaixada de Lisboa mas mais caro do que na fronteira, aqui eram só 15 dólares.
Para a mota do Luís é que a coisa não correu tão bem!!! Na pesquisa que fiz na net antes do inicio da viagem li algures que no Egipto o carnet podia ser substituído por uma garantia de 1000 euros deixada à entrada e recuperada na saída do país, tanto que nem o Telmo nem o Rafael tinham carnet a “contar” com esta situação! Quando “convenci” o Luís a acompanhar-me até ao Egipto com também com base neste informação que é completamente errada!!! Para a KTM do Luís entrar sem carnet ele tinha que fazer um carnet provisório que custaria cerca de 4500 libras egípcias e tinha que deixar uma garantia a ser devolvida na saída de 5000 dólares!!!
Como não dispúnhamos desse dinheiros, nem o Luís estava disposto a pagar tamanho valor, decidiu não entrar! Como ele estava lá por minha causa e das minhas informações incorrectas acerca do carnet disse-lhe que regressava com ele à Jordânia. O Luís disse que nem pensar nisso e eu devia continuar com o meu projecto, ainda pensámos na hipótese de deixar a mota do Luís no porto e seguirmos os dois na minha mota mas no final ficou acertado que eu seguia para o Cairo e que o Luís ia explorar a zona de Aqaba e do deserto de Wadi Rum no Sul da Jordânia e que depois nos encontraríamos por lá!
Assim o Luís obteve um visto gratuito só para a Província do Sinai, deixou a mota no junto à alfândega e saímos para jantar e passar a noite em Nuweiba para no dia seguinte regressarmos ao porto.
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